Tunes do Tempo
Voc�s se lembram que h� algumas semanas, como parte dos testes de conhecimento do bairro, mencionamos um trem que conectava Santo Amaro � S�o Paulo ? Pois bem, eis a hist�ria e foto do trenzinho .

A Estrada de Ferro

Na segunda metade do s�culo XIX, a vila de Santo Amaro tornou-se o celeiro de S�o Paulo: todos os g�neros de primeira necessidade, mandioca, milho, feij�o, arroz, batatas inglesas, eram comprados dos santamarenses. Numerosas propriedades rurais dedicavam-se � cria��o de gado e aves dom�sticas. Tropas de burro e carro de boi levavam para a capital madeiras lavradas, feixe de mucuta, carv�o e pedra de cantaria. Iam vend�-las no mercado central de S�o Paulo.

Foi este um dos motivos que levaram alguns engenheiros, tendo � frente Alberto Kulhmann, a projetarem uma extensa ferrovia que, partindo de Vila Mariana, penetrasse no sul da Prov�ncia de S�o Paulo. O trem passaria por Santo Amaro e a linha teria, ao todo, 200 quil�metros de extens�o. O lucro esperado viria do transporte de madeiras e g�neros aliment�cios.

Aliando-se a Eus�bio Vaz Lobo da Camara Leal, o engenheiro Kulhman requereu e obteve privil�gio para este empreendimento, por vinte e cinco anos.

Em 1884, o presidente da Prov�ncia mandou um relat�rio � Assembl�ia Provincial, sobre a estrada em constru��o: "A linha de Carris de Ferro de S�o Paulo � vila de Santo Amaro, parte desta Capital, na Rua Liberdade, esquina da S�o Joaquim, e segue pela Estrada Vergueiro at� o quil�metro 2; desse ponto se afasta a linha at� � estaca 245, sendo dois quil�metros e 900 metros do ponto de partida, continuando da� por diante o tra�ado, ora aproximando-se ora afastando-se da estrada que conduz �quela vila. Quando completamente terminada a linha ser� de 15 quil�metros".

Puffing Billy, 1917Em 14 de mar�o de 1886, o Conselheiro Jo�o Alfredo, presidente da Prov�ncia de S�o Paulo, presediu a cerim�nia de inaugura��o da nova estrada de ferro: o trenzinho a vapor saiu da esta��o da Rua S�o Joaquim �s 11 e 36 horas da manh�. A linha seguia pelas atuais Rua Vergueiro, Rua Domingos de Morais, Avenida Jabaquara, at� o local onde est� a Igreja de S�o Judas Tadeu. Ali ficava a esta��o "do encontro", onde os trenzinhos faziam um reabastecimento de combust�vel e �gua. Seguia depois por vastos campos, onde hoje est�o os bairros do Aeroporto e Campo Belo, e alcan�avam o Brooklin Paulista. Ali havia curvas extremamente fechadas e o local era chamado "Volta Redonda" (NR: Verificar na primeira edi��o de Voc� Conhece seu Bairro?). Seguida depois pela atual Ch�cara Flora, e entrava em Santo Amaro por uma curva que passava pelas atuais ruas S�o Jos� e Nove de Julho. O ponto final era na Pra�a Santa Cruz, onde est� a Escola Linneu Prestes. O percurso todo era feito em uma hora e meia, mais ou menos.

O m�dico milan�s Dr. Afonso Lom�naco contou em livro as viagens que fez pelo Brasil, percorrendo o Rio de Janeiro, Minas Gerais e S�o Paulo, entre os anos de 1885 e 1887. Conta uma viagem que fez a Santo Amaro:

"… De Vila Mariana prolongava-se a estradazinha de Santo Amaro, por vinte quil�metros atrav�s de plan�cie �rida e despida, onde s� quase havia vegeta��o rasteira, des�rtica, por assim dizer. Santo Amaro, humilde e risonho arraial de casinhas baixas, pintadas de cores vivas e quase todas da mesma altura, com poucas ruas largas de terra batida, e duas grandes pra�as, parecendo as aldeolas da Sicilia. Vivia como que segregada do mundo, mas a abertura da linha de trens a vapor transformou o local em passeio muito em moda: nos dias festivos ali acorrem numerosas pessoas, desejosas de lhe respirar a belas auras, e de vagar pelos campos vizinhos do humilde vilarejo, digno de acatamento hist�rico por ser

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